Recursos naturais em perigo!
Segundo o relatório de 1998 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, ao contrário do que apontavam as previsões feitas nas décadas de 60 e 70, o consumo desmedido não está a afectar tão intensamente como se esperava as reservas dos recursos não renováveis, antes, o seu uso está a introduzir alterações nos ecossistemas e a colocá-los em perigo.
As emissões anuais de dióxido de carbono quadruplicaram nos últimos 50 anos, apesar das recentes políticas de redução de emissões adoptadas pelos países desenvolvidos e industrializados ( que continuam a ser, aliás, os principais responsáveis por essa situação).
A queima de combustível fóssil - petróleo, carvão, gás natural - é a primeira causa de emissão de dióxido de carbono, responsável pelo chamado efeito de estufa e pelo aquecimento global. Estas emissões já ultrapassam a capacidade da vegetação florestal mundial para as absorver.
Os resíduos - tóxicos e não tóxicos - estão a aumentar. Nos países industrializados, a produção "per capita" de resíduos praticamente triplicou nos últimos 20 anos. Os resíduos tóxicos da indústria e agricultura química podem penetrar no abastecimento de água, poluindo o solo e entrando na cadeia alimentar.
Neste conjunto de preocupações surge ainda a deterioração crescente dos recursos renováveis - a água, os solos, as florestas, as reservas de peixe e a biodiversidade.
Desde 1950 que as recolhas de água quadruplicaram. A disponibilidade de água está a reduzir drasticamente. Actualmente, há vinte países, com 132 milhões de habitantes, que sofrem de escassez de água. Se esta tendência se mantiver, em 2050 serão 25 os países na mesma situação.
Um sexto da superfície terrestre mundial - dois mil milhões de hectares - está degradada devido ao excesso de pastagens e a deficientes práticas de lavoura. As florestas mundiais (que retêm os solos e previnem a erosão, regulam as provisões de água e ajudam a controlar o clima) estão a diminuir.
Há 40 anos, a desflorestação afectava sobretudo os territórios dos países desenvolvidos. Mas, nos últimos dez anos, e devido ao aumento do consumo de papel e madeira nestes mesmos países ricos, a destruição de florestas deslocou-se para o mundo em desenvolvimento. Na última década, 154 milhões de hectares de floresta tropical foram cortados. A América Latina e as Caraíbas perdem sete milhões de hectares por ano e a Ásia e África Subsariana quatro milhões. Os "stocks" perdidos não estão a ser repostos.
As reservas de peixe estão a diminuir, com um quarto delas já esgotadas ou em perigo de esgotar, e mais de 44 por cento a serem degradadas acima dos seus limites biológicos. Em 40 anos, as capturas mundiais aumentaram de 19 milhões de toneladas para 91 milhões em 1995.
Adaptado de: "Público" 10/9/98