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Desertificação ameaça planeta

A desertificação constitui uma ameaça séria para o Planeta, atingindo, mais ou menos severamente, 110 países, que representam mil milhões de seres humanos e 3,5 mil milhões de hectares de terras degradadas em vários graus. Em cada ano, uma área equivalente à de Portugal fica incapaz de sustentar a agricultura (irrigada ou não).
Em Portugal a desertificação atinge zonas do interior leste (Trás-os-Montes e Beiras) e sul (Alentejo e interior algarvio), com particular incidência no vale do Guadiana, onde se registou o mais significativo avanço do processo de desertificação nos últimos 50 anos.
O desaparecimento prolongado da vegetação é uma das causas que em Portugal tem desempenhado um papel importante no processo de desertificação, designadamente devido aos fogos florestais e à má gestão ou sobre-exploração dos recursos que agravam os factores climatéricos (seca ou chuvas intensas) e geomorfológicas (natureza do solo e inclinações). Destaca-se a promoção de monoculturas extensivas e intensivas de que é paradigma a política cerealífera dos anos 30 ? "campanha do trigo" ?, com a destruição de vegetação nos cabeços - especialmente nos terrenos com fortes inclinações - e mesmo junto às linhas de água, com destruição de vegetação ripícola. No primeiro caso, não só fica inviabilizada a infiltração da água da chuva (e da rega), como é facilitado o transporte rápido de importantes massas de solo (erosão hídrica), incluindo os seus nutrientes, realizado pelos episódios de precipitações que, embora raros e em intervalos de tempo curtos, são geralmente intensos. Tornando-se esqueléticos, estes solos ficam expostos à remoção, pelo vento, do solo que lhes resta (erosão eólica). Por sua vez, o empobrecimento ou remoção de vegetação ripícola (amieiros, ulmeiros, salgueiros,...) suprime um promotor de retenção de água e de diminuição da velocidade de seu escoamento superficial, diminuindo a recarga do lençol freático e incrementando, pelo contrário, o transporte de solo.
Desertificação - degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e sub-húmidas secas, resultante de vários factores, incluindo as variações climáticas e as actividades humanas.
Degradação da terra - redução ou perda da produtividade biológica ou económica e da complexidade das terras agrícolas de sequeiro, regadio, pastagens naturais ou semeadas, das florestas ou áreas de arvoredo disperso, devido aos sistemas de utilização da terra ou a um processo, ou combinação de processos, incluindo os que resultam da actividade do homem e das suas formas de povoamento e ocupação do território, designadamente a erosão pela água ou pelo vento; a deterioração das suas propriedades físicas, químicas, biológicas e económicas; o desaparecimento prolongado da vegetação |
Adaptado de "Jornal de Notícias", 19 de Novembro de 1999.
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