O estado do Ozono
Há tão pouco ozono na atmosfera que se ele fosse concentrado à superfície terrestre formaria uma capa com apenas três milímetros de espessura. E, contudo, o ozono - uma molécula formada pela junção de três átomos de oxigénio - joga um papel determinante em todo o ambiente. Ele absorve os raios ultra-violetas provenientes do Sol, antes de atingirem a superfície, evitando que destruam as delicadas moléculas da vida. Sem esta camada, a vida sobre a superfície terrestre seria de todo impossível.
Em 1974, contudo, Mario Molina e Sherwood Rooland, ambos então na Universidade da Califórnia, em Irvine, previram que os clorofluorcarbonetos (CFCs), uma substâncias químicas usadas nos sprays e nos sistemas de refrigeração, destruiriam o ozono a um ritmo superior ao que ele era criado. E como estes químicos estavam a ser continuamente lançados na atmosfera pelas actividades humanas, Molina e Rowland alertaram para o perigo da destruição da camada de ozono na estratosfera. O seu aviso, porém, não foi tomado a sério e foi até olhado com exagero ou extravagância científica.
Foram necessários 10 anos para que se descobrisse uma enorme depleção da camada de ozono sobre o Pólo Sul, o conhecido "buraco do ozono" e se estabelecesse uma ligação entre este facto e os CFCs lançados para a atmosfera. O debate continuou, mais intensamente no hemisfério sul, onde o aumento do número de cancros de pele na Austrália se correlacionava com o desaparecimento do ozono estratosférico. Mas mais: verificou-se que o desaparecimento era global e não se limitava a esse hemisfério. Ao longo de sucessivos anos, níveis cada vez menores de ozono eram medidos em toda a estratosfera.

O buraco do ozono no hemisfério sul. A alteração na cor evidencia a menor concentração de ozono na estratosfera, ou seja, o buraco do ozono (rosa e violeta).
Foi necessário iniciar medidas políticas e Molina e Rowland pressionaram junto dos governos para uma substituição dos tradicionais CFCs por gases não destruidores para a camada de ozono.
O seu trabalho de duas décadas foi de certa forma coroado. Com uma unidade sem precedentes, as Nações Unidas conseguiram negociar a eliminação dos CFCs e outros químicos perigosos. Conhecido como Protocolo de Montreal, a eliminação começou a ser efectiva em 1996, mas o problema não está resolvido. Estes compostos persistem na atmosfera e continuam a sua acção destruidora sobre o ozono.
Adaptado de: "Jornal de Notícias", 2 de Março de 2002