Carlos Pinheiro

2004-05

CSFC > Unidade 12 > Recursos > Ambiente

 

O clima está a mudar?


Um relatório recentemente divulgado pela OMM ( Organização Meteorológica Mundial) reconhecia que 1998 foi o mais quente dos últimos 40 anos, tendo a temperatura subido cerca de 0,58 graus relativamente à média do período compreendido entre 1961 e 1990. Há vinte anos que a temperatura do Globo é superior ao normal e o desvio em relação ao final do século XIX, quando se começaram a fazer os primeiros registos sistemáticos, atinge os 0,7 graus. Os mais pessimistas prevêem que a temperatura da Terra possa subir quatro graus até 2100, situação que poderá estar na origem da submersão de muitas ilhas e de regiões ribeirinhas superpovoadas, devido ao degelo das regiões polares, provocando prejuízos incalculáveis na agricultura, no ambiente e na saúde das populações.

 

Mas os cientistas são mais cautelosos quando se trata de tirar conclusões sobre alterações climáticas. É que os registos fidedignos da evolução do clima terrestre têm pouco mais de cem anos, um período demasiado curto para se compreenderem claramente os mecanismos de todo o processo. Os ciclos climáticos da Terra têm milhares de anos de duração, como indicam vários estudos geológicos, bem como as análises às camadas de gelo mais antigas do Árctico e da Antárctida.

 

Investigações recentes também revelam dados surpreendentes. Através do estudo da composição e estrutura dos sedimentos acumulados no fundo de um lago no Quénia, bem como do depósito de fósseis e de algas chegou-se à conclusão que o clima da região equatorial de África sofreu um aquecimento acentuado e repentino à cerca de 2000 anos, numa altura em que a actividade humana não tinha, obviamente, qualquer influência sobre a subida de temperatura na Terra. Aliás, não é preciso recuar tanto tempo. No século XIII, por exemplo, eram plantadas com sucesso vinhas em Inglaterra e praticava-se a agricultura nas terras, hoje geladas, da Gronelândia...

A meteorologia e a ciência em geral têm, assim, um razoável caminho a percorrer até conseguirem distinguir, com rigor, a que ponto as mudanças climáticas resultam de causas naturais ou da desastrosa intervenção do Homem. Mas uma coisa é certa: a subida das temperaturas médias nas últimas décadas e a fusão de algumas enormes placas de gelo na Antárctida têm coincidido com o aumento da emissão de gases industriais para a atmosfera.

 

Adaptado de: "Expresso", 9/1/99.