Carlos Pinheiro

2004-05

CSFC > Unidade 12 > Actividades

 

1. O Dia em que o Mundo acordou para o TERROR

Pouco antes das 9 horas da manhã, na Costa Leste dos EUA (…) quando Manhattan, coração da cidade de Nova Iorque e centro financeiro mundial, começava a fervilhar de actividade, um Boeing da American Airlines com 81 passageiros e 11 tripulantes a bordo, que efectuava o Voo 71, de Boston para Los Angeles, embateu violentamente contra a mais setentrional das Twin Towers (…) que compunham o altaneiro World Trade Center (WTC), uma das estruturas arquitectónicas mais altas do mundo e símbolo do poderio económico do país. O aparelho atravessou o edifício de lado a lado, à altura do 80º piso, provocando uma explosão e um incêndio. Presume-se que, na torre, se encontrassem, no momento, cerca de 10 mil pessoas, muitas das quais puderam ser evacuadas, com o auxílio da polícia e dos bombeiros. A torre envolveu-se de imediato numa nuvem de fumo negro, que ficou a pairar, durante horas, sobre Manhattan e que o vento ia arrastando lentamente para Leste. Nas ruas adjacentes, prontamente cortadas ao trânsito, os transeuntes corriam apavorados, deitavam-se no chão ou protegiam-se de um perigo indefinido, junto dos automóveis estacionados.

A atmosfera, contaminada de fumo denso, poeira e detritos de diversa ordem, em resultado do incêndio e do desabamento dos gigantescos edifícios, tornou-se, desde logo, irrespirável. Pessoas eram transportadas para os hospitais. Gritos de terror atroavam a cidade. Mulheres e crianças choravam, homens corriam, aparentemente sem destino.

O segundo ataque foi desferido 18 minutos depois, a fazer lembrar os bombardeamentos de Pearl Harbour, em vagas sucessivas. Cerca das 9 e 15 (14 e 15 em Portugal Continental), uma segunda aeronave da American Airlines, esta estabelecendo a ligação Washington-Los Angeles (Voo 77), colidiu violentamente contra a torre sul do WTC, que não tardaria a desmoronar-se, arrastando na queda milhares de vítimas.

Tanto de uma como da outra torre, chuvas de pessoas tombavam voluntariamente das janelas, preferindo encontrar a inevitável morte na queda livre a terem de soçobrar à servidão das chamas e da asfixia, no interior dos edifícios ameaçados. O mundo inteiro assistiu pelas televisões aos patéticos saltos para a morte, de dezenas de andares de altura, dos pequanos insectos humanos desesperados. (…)
"É o segundo Pearl Harbour. Acho que não estou a exagerar", disse o senador Chuck Hagel. (…)

Pouco depois, um outro Boeing da United Airlines que cumpria o Voo 93, de Newark para San Francisco, despenhava-se a 60 quilómetros da cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia. Fora (…) igualmente desviado por terroristas. O destino suicida do aparelho era, supostamente, abater-se sobre a residência de férias dos Presidentes dos EUA, em Camp David. (…)

Um quarto aparelho, não identificado desde logo, atingia pouco depois, em cheio, o Pentágono, o gigantesco edifício das cercanias de Washington (…), onde funcionam os serviços do poderoso Ministério da Defesa (…).

Adaptado de Visão, 12 de Setembro de 2001.

2. O Estado de Emergência

Ao perceberem que as acções terroristas não se dirigiam apenas contra Nova Iorque, as autoridades punham em acção uma gigantesca lista de medidas de segurança em todo o país, a fim de proteger os cidadãos e prevenir novos ataques.

Toda a baixa de Manhattan, em Nova Iorque, foi evacuada. A sede das Nações Unidas também. A administração portuária mandou encerrar todas as pontes e túneis de ligação a Manhattan. Os parques de estacionamento públicos e garagens de centros comerciais não aceitaram mais entradas. O metro paralisou e as transacções na Bolsa de valores foram suspensas. As eleições municipais foram canceladas.
Em Washington, a Casa Branca, o Capitólio, o Departamento de Estado, o Departamento de Justiça, a sede da CIA e todos os edifícios federais foram fechados, enquanto parte do Pentágono cedia sob o impacto do choque de um avião. Rapidamente, as medidas alastraram a todo o país. Os mais altos arranha-céus de Los Angeles, Chicago, Boston, Cleveland e Minneapolis foram esvaziados. Até a liga de basebol cancelou os 15 jogos programados.

Se as universidades em Washington e noutros Estados fecharam logo as portas, a maioria das escolas dos outros níveis de ensino optou porém por manter o horário, a fim de evitar que os pais fossem "buscar os filhos todos ao mesmo tempo e assim causar mais engarrafamentos.

Os hospitais de Nova Iorque e Washington não tiveram mãos a medir. Foram lançados apelos pelas rádios e televisões para a presença de médicos e dadores de sangue. (…)
Os telemóveis, as redes fixas e as comunicações via Internet foram bastante afectadas (…) com o congestionamento da rede (…).

Adaptado de Visão, 12 de Setembro de 2001.


3. Um Mundo de Contrastes - Da Condenação aos Festejos

Dos cantos do mundo vieram as reacções, todas de solidariedade para com o povo escolhido como alvo pelos terroristas. Amigos, inimigos, simpatizantes, ódios de estimação, não houve quem não deixasse escapar uma palavra de consolo, carinho e condolência. Jacques Chirac, Presidente francês, chamou-lhes "ataques monstruosos". Vladimir Putine, o homólogo russo, disse que eram "actos desumanos". José Maria Aznar, primeiro-ministro espanhol optou pela classificação de "insanidade" e Gerhard Schroeder, chanceler alemão, foi mais longe: "É uma declaração de guerra ao mundo civilizado". Um alerta que Shimon Feres, ministro israelita das Relações Exteriores, fez questão de sublinhar, afirmando que "o terrorismo é um perigo mundial que pode atingir todos, em ter em conta as fronteiras e as forças armadas mais potentes do mundo".

Países europeus como a Espanha e o Reino Unido, eles próprios habituados a viverem sob o espectro do terrorismo, reclamaram união no combate ao terrorismo. "Este é o novo mal do mundo perpetrado por fanáticos, e as democracias têm de se unir para o erradicar", exortou Tony Blair, o primeiro-ministro britânico.

Adaptado de Visão, 12 de Setembro de 2001.

Durante a tarde de Terça-Feira, 11, poucas horas depois do atentado em Nova Iorque e Washington, os residentes de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza festejavam nas ruas das cidades principais. De acordo com a edição on-line do Jerusalem Post, e apesar de Yasser Arafat ter repudiado o ataque, dúzias de jovens palestinianos celebravam o acontecimento distribuindo rebuçados nas vias principais e entoando "Deus é Grande" e disparando tiros para o ar. Repórteres no terreno recolhiam depoimentos de alguns palestinianos que afirmavam que a ofensiva era "uma resposta ao apoio norte-americano a Israel". As notícias vindas do Líbano, da Jordânia e Iraque davam conta de um ambiente semelhante nas maiores localidades.

Adaptado de Visão, 12 de Setembro de 2001.

4. A Globalização do Terror

O império que parecia dominar o mundo demonstrou ser mais vulnerável do que se julgava. (…)

Um ataque que equivale a uma verdadeira declaração de guerra. E de nada adianta colocar o Exército, a Marinha e a Força Aérea em campo e dar-lhes ordem para exterminar o inimigo. Tal cenário poderia ser válido para 1942, quando os EUA reagiram depressa e em força ao bombardeamento de Pearl Harbour pelos japoneses, em 7 de Dezembro do ano anterior. O problema é que estamos já no século XXI e os Estados Unidos estão a lidar com um inimigo invisível. (…)

Caso dúvidas houvesse, provava-se ainda que a globalização não era sinónimo de paz. Os EUA garantiram a supremacia, mas os que ficaram excluídos do desenvolvimento e desalinhados politicamente com o Ocidente encarregam-se agora de desafiar a ordem pós-guerra fria. Daí as manifestações de júbilo em Jerusalém Oriental, no Líbano, na Jordânia ou no Iraque. Até porque estes lugares se situam numa das regiões mais problemáticas do globo: o Médio Oriente. Com a agravante de o histórico conflito israelo-palestiniano atravessar um período crítico, por força da nova Intifada (…).

Adaptado de Visão, 12 de Setembro de 2001.

Os atentados de 11 de Setembro de 2001 contra os Estados Unidos da América mudaram radicalmente a perspectiva do mundo em relação ao terrorismo. Os ataques foram impressionantes pela violência, pelo método, e pela perda de vidas; os alvos atingidos representavam a supremacia económica (o World Trade Center) e o poder militar (0 Pentágono) dos EUA - revelando a vulnerabilidade de todos os países do mundo à ameaça terrorista.

Os atentados tornaram também evidente que nos confrontamos com novas ameaças que não conhecem fronteiras. Dir-se-ia que a globalização se estendeu às actividades criminosas: o tráfico de armas, de drogas, de seres humanos, de matérias químicas, biológicas e nucleares, redes transnacionais de crime organizado, cibercriminalidade - e, enfim, o terrorismo. O 11 de Setembro revelou a inadequação das estruturas militares, e da ideia de soberania e jurisdição territorial, para combater um inimigo sem fronteiras numa guerra sem campo de batalha.

Fonte: Visão, Edição Histórica, Setembro de 2002.


5. Viver sob o signo do TERROR

O Departamento Federal de Investigação (FBI) dos Estados Unidos emitiu anteontem à noite um alerta de terrorismo. Após ter recebido informações sobre uma possível conspiração para a realização de um atentado no país, que poderá estar iminente.

O FBI alertou a população e as autoridades policiais norte-americanas para a possibilidade da presença nos Estados Unidos de um cidadão iemenita e vários cúmplices que poderão estar a preparar um ataque para breve. (…)

"Informações recentes indicam que um planeado ataque poderá ocorrer nos Estados Unidos ou contra interesses norte-americanos por volta de 12 de Fevereiro de 2002. Um ou mais operacionais poderão estar envolvidos no ataque", indicou o alerta do FBI enviado às autoridades policiais em todo o país.

Jornal de Notícias, 13 de Fevereiro de 2002

O trinómio atentado/retalição/atentado, ou vice-versa, voltou a impor-se entre israelitas e palestinianos, apesar de todos os apelos às duas partes para que dêem provas de contenção e das condenações internacionais. A cada atentado, a cada míssil, aumenta a dor e o ódio recíproco entre os dois povos. (…) "Bombardear casas de civis é uma violação de todas as fronteiras", afirmaram as Brigadas Ezzedine al-Qassam, a ala armada do Hamas, em comunicado emitido em Gaza.

Diário de Notícias, 11 de Setembro de 2003.


O grande mufti da Arábia Saudita, a maior autoridade religiosa do país, apelou ontem à luta contra o terrorismo e a violência. Isto, no mesmo dia em que as autoridades de Riade detinham sete pessoas suspeitas de estarem a preparar um atentado terrorista.

Perante milhares de fiéis muçulmanos vestidos de branco, chegados ao monte Arafat para a anual peregrinação do hajj, o xeque Abdel Aziz Al-Cheikh referiu que "o islão interdita a violência sob todas as formas. Interdita o desvio de aviões, de barcos e todos os outros meios de transporte. Interdita todo o acto que ameace a segurança". (…)
A peregrinação deste ano (…) está envolta em fortes medidas de segurança em torno dos lugares santos.

Diário de Notícias, 1 de Fevereiro de 2004


A maior operação policial desde a presença do Papa João Paulo II, em 2000, vai estar nas ruas de Fátima até ao final das cerimónias do 87º aniversário das aparições. As fortes medidas de segurança envolvem PSP, GNR, PJ, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, Protecção Civil, Inspecção-Geral das Actividades Económicas e instituições de acção social. A presença de milhares de pessoas no santuário, num contexto mundial de ameaças de terrorismo, levou ao destacamento para o local de unidades especiais da PSP.
Diário de Notícias, 11 de Maio de 2004.

Respondendo aos constantes apelos televisivos da Câmara de Moscovo, milhares de pessoas - mais de cem mil, segundo os organizadores - encheram, ontem, as ruas da capital russa para protestar contra o terrorismo. Muitas bandeiras russas e algumas do Partido Comunista davam cor à esmagadora mole de gente. Mas, a mais de mil quilómetros de distância, na pequena Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte, quatro centenas de populares também se manifestaram contra a alegada corrupção dos serviços de segurança russos e ossetas, que, no seu entender, terá proporcionado a tragédia de Beslan.

Horas antes, na segunda-feira à noite, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, dava conta da sua irritação perante o comportamento do Ocidente. Fê-lo numa entrevista colectiva concedida a jornalistas ocidentais. Para tudo teve resposta. Contundente, por vezes. Como quando disparou que negociar com os "separatistas" chechenos seria a mesma coisa que o Ocidente negociar com Bem Laden, líder da Al-Qaeda, "convidá-lo para visitar o quartel-general da NATO, em Bruxelas, ou a Casa Branca", nos Estados Unidos.

Diário de Notícias, 8 de Setembro 2004.

Sugestões:

Um conjunto diversificado de fontes que nos relatam os minutos que mudaram o Mundo - o atentado de 11 de Setembro -; o deflagrar do estado de emergência; os contrastes pelo Mundo na recepção desta notícia; a globalização do Terror e as notícias encadeadas de ataques terrorristas que nos fazem viver num Mundo sob constante alerta, são excelentes recursos para trabalharmos o desenvolvimento de uma opinião crítica nos nossos alunos sobre o nosso Mundo de hoje.
Sugerimos a análise e discussão dos documentos apresentados.

 

 

1. Divisão da turma em grupos de discussão e distribuição das seguintes tarefas:

Grupo 1
- leitura e análise dos documentos do ponto 1 - "O Dia em que o Mundo acordou para o TERROR" ;
- pesquisa e recolha de fontes de outros ataques surpresa ao longo da História (ex. Pearl Harbour);
- levantamento de questões sobre esses acontecimentos do passado, do passado recente e os do presente (ex. Quais são as similitudes e diferenças entre estes acontecimentos?);
- discussão sobre como foi noticiado em imagens o 11 de Setembro de 2001, nas capas de algumas das principais revistas do Mundo Ocidental?; As imagens falam por si - Que leitura podemos fazer destes imagens?;
- discussão sobre as grandes questões: Qual foi a grande mudança que o 11 de Setembro revelou ao Mundo?; Quais são os novos desafios que o 11 de Setembro trouxe ao Mundo de hoje?;
- registo das conclusões do grupo.

 

Grupo 2
- leitura e análise dos documentos do ponto 2 - "Estado de Emergência";
- discussão sobre o porquê do alerta global provocado pelos atentados de 11 de Setembro: Porquê que o Mundo reagiu com pânico e medidas de segurança a um acontecimento que teve lugar nos EUA?;
- registo das conclusões do grupo;
- pesquisa e recolha de outras fontes de informação sobre os acontecimentos que se seguiram às primeiras horas e dias após os atentados;
- redacção de notícias relatando esses acontecimentos.

 

Grupo 3
- leitura e análise dos documentos do ponto 3 - "Um Mundo de contrastes - Da Condenação aos Festejos";
- pesquisa e recolha de outras fontes de informação que revelem diferentes reacções do Mundo aos atentados de 11 de Setembro;
- discussão sobre o porquê de reacções tão opostas: Quais são os principais motivos de reacções tão opostas ao 11 de Setembro?; Será que esses motivos estão relacionados com o desencadear do Terror?;
- registo das conclusões do grupo.

 

Grupo 4
- leitura e análise dos documentos do ponto 4 - "A Globalização do Terror";
- comentar as afirmações do 2º documento: "Os ataques foram impressionantes pela violência, pelo método, e pela perda de vidas."; "Dir-se-ia que a globalização se estendeu às actividades criminosas: o tráfico de armas, de drogas, de seres humanos, de matérias químicas, biológicas e nucleares, redes transnacionais de crime organizado, cibercriminalidade - e, enfim, o terrorismo.";
- análise do gráfico comentado sobre a evolução dos principais acontecimentos terroristas desde o 11 de Setembro de 2001 a 11 de Setembro de 2003.
- discussão sobre os novos desafios do combate ao terrorismo: Que métodos e meios para o fazer?; A guerra do Iraque - que resultados no combate ao terrorismo?;
- levantamento de outras questões pelo grupo sobre as novas formas de terrorismo;
- pesquisa e recolha de notícias que documentem as novas formas de terrorismo;
- registo das conclusões do grupo.

 

Grupo 5
- leitura e análise dos documentos do ponto 5 - "Viver sob o signo do TERROR";
- pesquisa e recolha de notícias que relatem acontecimentos de actividades terroristas;
- discussão das seguintes questões: Que implicações trouxe a nova forma de guerra para o quotidiano do século XXI?; Quais são os locais do Mundo onde o terrorismo se faz sentir mais?; Será que o terrorismo se manifesta apenas na oposição Mundo islâmico/Mundo Ocidental?Porquê?; E Portugal enquadra-se neste contexto? Porquê?;
- registo das conclusões do grupo.

 

 

Adaptado de Netprof (http://www.netprof.pt/)